Claudia02lowPassei por um bom período da minha vida com a autoestima em baixa. Achava-me feia, incapaz. Facilmente fazia uma lista das minhas imperfeições. Sofria demais buscando uma perfeição que só existia na minha imaginação.

Cheguei ao fundo do poço e, cansada de tanto sofrer com a minha própria negatividade percebi que precisava urgente mudar meu comportamento. Precisava construir a minha autoconfiança e superar a baixa autoestima.

Comecei a mudar o meu sentimento a meu respeito e para tanto tive que desfazer duas crenças fundamentais sobre a minha autoimagem.

A primeira crença é a crença de que não somos bons o suficiente.  Esta crença está associada a uma forma específica de como nos sentimos a respeito da nossa capacidade intelectual, a respeito de nossa capacidade de trabalho ou financeira, ou seja, está ligada, a algo que acreditamos não executarmos muito bem.

A outra crença esta ligada a imagem de sucesso que nós estabelecemos para nós mesmos, definição do que deveríamos ser.

Entendi que para recuperar a minha segurança e elevar a minha autoestima eu teria que ir fundo na mudança destas crenças.

Quando sua mente tem uma imagem de sucesso que você “deve” alcançar ou ser, o seu cérebro associa emoções felizes com essa imagem. A mente faz uma comparação entre a imagem de perfeição que você criou e como você vê a sua autoimagem atualmente. Os resultados negativos da comparação e a autorejeição por não atender a imagem da perfeição irá causar o sentimento indigno de baixa autoestima.

Um caminho que encontrei para mudar meu sentimento de “eu não sou boa o suficiente”, foi buscar em mim mesma tudo aquilo que eu conseguia avaliar como sendo bom, tais como: alguns aspectos fisicos, aspectos culturais, aspectos intelectuais, habilidades, e passei a focar a minha energia naquilo que eu era capaz de reconhecer de bom em mim mesmo. Também busquei a ajuda de amigos sinceros. Amigos que me admiravam e sempre tinham uma palavra de encorajamento ou apenas um abraço caloroso.

Perseguir a imagem da perfeição, uma criação de sua imaginação exigente, apenas o levará a autorejeição e mais insegurança.

É muito importante o foco e trabalho profundo na desconstrução da crença da imagem perfeita. Temos que estar cientes que mesmo alcançando um relativo sucesso não efetivamente mudaremos o nosso estado emocional. Este sucesso não faz nada para mudar permanentemente a forma como aquela “voz” na nossa cabeça fala a nós mesmos. Por isto é muito comum o estado emocional mudar rapidamente da euforia para uma nova frustração.

Lembre-se que a voz na cabeça é mestre em estabelecer metas superiores as que podemos alcançar.

Quando a voz na minha cabeça começa a me boicotar, criei um mecanismo para combatê-la imediatamente, começo a focar meu sentimento e pensamento naquilo que é real. Por exemplo: quando fico frustrada por não conseguir uma boa colocação em uma competição, trato imediatamente de lembrar quem eu sou, uma mulher de 52 anos, que aprendeu a pedalar ha três anos, que não treina constantemente devido à obrigações de trabalho e alguns problemas na coluna que causam dores fortes e indisposição, etc, etc. Imediatamente diante do cenário real, percebo que tenho conseguido resultados maravilhosos, ficar em 10º lugar não é ruim não, é maravailhoso! Ter conseguido completar a prova nas condições que disponho é excelente!

Também uso outros recursos para afastar a ideia da busca pela perfeição, é manter a vista objetos, lembretes que me remetem as minhas conquistas, medalhas de algumas competições, fotos, depoimentos de alunos elogiando meu trabalho, entre outros recursos.

Recentemente me dei conta de que em poucos anos estarei entrando na faixa da “melhor idade”, este ano completarei 52 anos. Peguei-me olhando muito duramente no espelho e sendo cruel com a imagem projetada, foquei em algumas rugas, fios de cabelo brancos, certa flacidez na pele e senti um calafrio! A voz ecoou na cabeça dizendo “ual como você envelheceu!” Mas ciente de onde este sentimento me levaria imediatamente comecei a batalha trocando a voz negativa por uma mais poderosa e positiva: “ual, apesar de estar com quase 52 anos, você está super bem!”. Passei o hidratante no rosto, fiz uma maquiagem bem legal e me senti aliviada.

Para comemorar, fui ao Estúdio 13, do fotógrafo Guto Gonçalves, para registrar este bom momento da minha “juventude”! Foi ótimo, estou revigorada e mais que agradecida, por conseguir eliminar da minha mente a imagem de perfeição irreal. Afinal, como com 52 anos poderia ter a pele de uma garota de 20?!

As fotos de Guto Gonçalves foram um dos melhores presentes que me dei nos últimos tempos. Quando a voz ecoar novamente na minha cabeça vou correndo olhar as minhas fotos!

Um grande passo em direção a mudanças das crenças é lembrar-se constantemente, é trazer a consciência de que você não é a imagem de perfeição que você criou em sua mente. Com consciência você poderá decidir acreditar ou não nesta imagem.

Gaste o seu tempo com o que realmente faz a diferença na forma como você se sente. Comece por mudar alguns pensamentos e emoções menores para aprender a como mudar as emoções e pensamentos maiores.

A sensação de que não somos bons o suficiente, significa que nós não somos bons o suficiente em comparação com uma imagem fictícia da perfeição na nossa mente. Nada mais.