Ciclofemini
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JPOV_20140408_07368smallQuando alguém te convida para um pedal seja passeio ou treino, ou até para participar de um curso ou uma corrida para amadores, a sua resposta geralmente é:

  • Adoraria ir, mas não quero atrapalhar os outros ciclistas, sou muito lenta.
    • Não tenho certeza que darei conta daquele percurso.
    • Até posso ir, mas meu objetivo é só participar, nem pensar em competir.
    • Estou iniciando e não quero fazer feio.
    • Só tem gente mais nova que eu, ficarei com vergonha.

Como ensino pessoas adultas a pedalar, a grande maioria quando faz contato comigo sempre demonstra muita vergonha, e dizem:

  • Sei que estou velha para aprender.
  • Sou velha para aprender, mas tenho que fazer aulas porque meu marido quer que eu pedale com ele.
  • Você poderia dar aula às 5 da manhã, quero ir ao parque quando está bem vazio, não quero me expor, vou “pagar muito mico”.

Pessoas muito sensíveis à crítica acreditam que precisam a todo custo ter o melhor desempenho em tudo. Quem se ressente demais com a possibilidade de falhar, faz uma leitura muito dura e cruel dos acontecimentos e, no fundo, se acha incapaz de reverter os possíveis danos que poderia provocar a si mesma, como passar vergonha de não ter dado conta da subida, vergonha exacerbada por não acertar logo na primeira tentativa.

O medo de errar, quando em excesso, é muito preocupante, pois a pessoa insegura tende a adiar demais as decisões e com frequência deixa de fazer ações prazerosas, como por exemplo, aprender a pedalar ou participar de uma pedalada com amigos.

Esse fenômeno é desconcertante e o observo com maior frequência junto as mulheres. Talvez seja pelo nosso histórico de sermos muitas vezes subestimadas, e aí continuamos alimentando este paradigma de geração em geração.

O erro faz parte da vida, só tem sucesso quem sempre esta em busca de evoluir, quem dá risada das próprias falhas e quem sabe que errar faz parte do processo de aprendizado. Como disse Winston Churchill, “sucesso é a habilidade de passar de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo.”

Uma das formas de minimizar o medo de arriscar é expor-se ao imprevisível gradualmente. Encarar as dificuldades de uma situação que causa aflição ajuda a desenvolver um mecanismo que passa, automaticamente, a neutralizar o medo excessivo em situações similares futuras.

Muitas vezes ficamos envolvidos num drama pessoal e perdemos a noção da realidade. Os erros nos dão a chance de ter uma noção realista do nosso desempenho, de avaliar o que é necessário adquirir, ou mudar para não errar novamente.

Então, ao invés de não sair para o pedal, ao invés de não participar da competição ou do treino, vá e perceba o que é necessário aprender para melhorar o seu desempenho. Não é sentada no sofá de casa ou apenas pedalando em torno da pracinha que você vai conseguir evoluir sua técnica e/ou o seu desempenho como um todo.

É incrível que, muitas de nós deixarão de ir a uma competição, um passeio ou até uma aula porque vai deixar o medo de errar, a autocrítica, a autodepreciarão, impedi-la de participar.

Quando sua autocritica estiver em alta e você perceber que está prestes a desistir da sua vivência com a bicicleta, pergunte a si mesma:

1-      O que pode acontecer de pior?

2-      Alguém de fato vai rir de mim, vão me colocar para baixo, serão indelicados?

3-      Alguém deixará de me ajudar se eu precisar de ajuda durante a pedalada?

Tenha certeza de que você vai sobreviver se encarar o desafio e o melhor de tudo, ficará orgulhosa de si mesma.

Tenha certeza de que ninguém vai se incomodar com o seu desempenho ou falta de experiência. Todo mundo está indo só para ser feliz!

Saiba que no meio de um grupo de ciclistas muitas também estarão lá porque largaram mão da autocritica, do medo de errar e optaram por brincar, por se libertarem, e por fazerem o que amam muito: Pedalar!

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