Ciclofemini
Ciclofemini
Ciclofemini

Você sabia que a Universidade Federal de São Paulo tem um departamento de informática em saúde? Entrevistamos o Educador Físico Eduardo Gomes, responsável pela avaliação de desempenho de diversos atletas. Veja como a informática é empregada para auxilio da saúde e do esporte em geral.

BikerFearless (BF) – Fale a respeito do departamento da UNIFESP quais atividades, pesquisas e serviços são desenvolvidos?

Eduardo Gomes (EG) – O Departamento de Informática em Saúde da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) é um departamento acadêmico dentro da faculdade de Medicina que tem ensino, pesquisa, serviço e extensão. Os dois maiores focos são: O ensino é voltado para as graduações existentes na UNIFESP, damos aula de tecnologia da informação na medicina, fonoaudiologia, biomedicina enfermagem entre outros e a distância. A pesquisa na Informática em Saúde é voltada as tecnologias que dão suporte a informação na saúde, visando um melhor atendimento do individuo e promovendo sua saúde. Entre as pesquisas mais comuns estão banco de dados de doenças, sistemas de informação de pacientes, tele medicina e sistemas de apoio a decisão ao diagnóstico para serviços de saúde como hospitais.

Sou  mestrando no Departamento de Informática em Saúde (DIS) e estou desenvolvendo um sistema de apoio à decisão em prescrição de atividades física.

BF: Quais profissionais trabalham do DIS?

EG: A maioria das pessoas envolvidas no DIS, são pesquisadores tanto da área da saúde, quanto da ciências da computação. No DIS o programa de pós-graduação aceita alunos para mestrado ou doutorando acadêmico, temos no programa enfermeiras, médicos, biomédicos, engenheiros da  computação, matemáticos entre outros. Para se ter uma idéia, sou o único educador físico no Brasil, que realiza uma tese de mestrado em informática em saúde.

BF:  Fale a respeito da sua empresa Avanti.

EG: A AVANTI surgiu com um grupo de amigos que se encontravam na USP, todas terças, quintas e sábados para pedalar. Começamos com 4 amigos, em 5 meses já éramos 15 entre homens e mulheres. Meu objetivo com a AVANTI é educar o ciclista a usar o seu equipamento da melhor maneira possível. Tenho uma linha de trabalho voltada em valorizar o indivíduo e não o equipamento. Um bom equipamento não faz tanta diferença comparado á um bom ciclista.

BF: O que é o bike fit?

EG: Nada mais é do que ajustar e regular o equipamento as limitações e características físicas do ciclista. É como fazer a barra de uma calça, ajustar a cintura do vestido, por exemplo.

BF:  O que é e qual finalidade da avaliação de desempenho, teste realizado pelo Marcelo?

EG: Através do simulador, consigo identificar quais as capacidades físicas que o Marcelo precisa melhorar. Essas capacidades são: força, capacidade aeróbia e flexibilidade. As variáveis que estão envolvidas na ação de pedalar também são avaliadas: cadência da pedalada (RPM), watts (potência que o ciclista emprega no pedal), relação de marchas adequada comparada ao RPM em função do batimento cardíaco.

BF: Como estes testes irão ajudar na pratica do MTB?

EG: O técnico do ciclista de posse deste laudo irá de maneira eficaz estabelecer diretrizes para alcançar o objetivo proposto pelo ciclista (treinamentos). O teste é na verdade uma ferramenta para que os ciclistas e técnicos não percam tempo em identificar qual deficiência deve ser trabalhada durante diversas horas de treino. O testa facilita a avaliação com dados precisos.

BF: Com qual freqüência o atleta precisa se submeter a estes testes?

EG: São diferentes testes para diferentes objetivos. No caso do Marcelo, é adequado refazer o teste a cada 60 dias. Para atletas profissionais, as avaliações tendem a diminuir o intervalo.

BF: Quais tecnologias são utilizadas para este tipo de avaliação?

EG: Na avaliação, o ponto mais importante é o fato do ciclista ser avaliado na sua própria bike. Nós utilizamos um programa holandês, que avalia o ciclista segundo á segundo durante o processo de avaliação, onde ao final do teste é gerado um gráfico que aponta todos os pontos críticos numa interface gráfica, facilitando a visualização do ciclista.

BF:  Quais outras informações adicionais você gostaria de comentar? Técnicas, fatos interessantes, estatísticos ou curiosos?

EG: Gostaria de salientar, que qualquer teste tem a função de identificar o estado momentâneo do indivíduo. As pessoas interessadas em realizar o teste se sentem intimidadas por se tratar de um instrumento que mede o desempenho. A frase mais comum é: “vou treinar um pouco para fazer o teste, no estado que me encontro, não vai ser bom”. O teste tem a função de identificar os pontos fracos e fortes do ciclista, assim de nada vale o indivíduo treinar ou se preparar para o teste, essa atitude só irá causar uma ilusão ao ciclista, pois não existe o ponto ideal para nenhuma atividade física que exige desempenho, há sempre algo mais para se fazer.

Educador Gomes é Físico formado pela Universidade São Judas Tadeu, Mestrando do  Departamento de Informática em Saúde – DIS – UNIFESP e Pesquisador na área de atividade física