Ciclofemini
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As suspensões antes de se tornarem uma peça importante, no final da década de 90, as bicicletas sem suspensão eram consideradas verdadeiros “vibradores de ossos”.

A suspensão da bicicleta tem três funções distintas: manter as rodas em contato com o chão o máximo possível, melhorar a tração, como  também, amortecer o impacto da bicicleta sobre o terreno.

Suspensões de bicicletas são utilizadas principalmente em bicicletas de montanha, mas também são comuns em bicicletas híbridas.

A suspensão é implementada no garfo dianteiro e há também a suspensão traseira.

As bicicletas que têm as duas suspensões, a dianteira e a traseira, são conhecidas como suspensão total ou full suspension.

Além de proporcionar conforto evidente para o piloto, as suspensões melhoram tanto a segurança, como a eficiência do mesmo, mantendo uma ou ambas rodas em contacto com o solo e permitindo que a massa do ciclista, o seu corpo, possa se mover sobre o solo em uma trajetória mais plana.

Para esclarecer as dúvidas mais comuns que algumas pessoas me derecioram, o CicloFemini conversou com Eduardo Skupien, profissional do departamento de Suporte Técnico da Scott Brasil.

Saiba como escolher a suspensão adequada a sua magrela!

CicloFemini: Quais são os tipos mais comuns de suspensão utilizadas no mercado?

Eduardo: Sem duvida as suspensões dianteiras dominam todo o mercado, pois estão presentes em praticamente 100% dos modelos lançados pelos fabricantes de bicicletas. Os amortecedores traseiros também estão ganhando seu espaço. O número de bicicletas full suspension cresce a cada ano

Os modelos de suspensões mais vendidos no mercado são sem dúvida nenhuma os modelos intermediários, com o curso* que pode variar entre 80mm e 120mm, sem grandes recursos de regulagem e com o funcionamento através de mola, mola e óleo ou elastômero. Basicamente possuem trava, através de um sistema simplificado, ou no máximo o ajuste de retorno**.

CicloFemini: Quais são as características a serem observadas na hora de escolher uma suspensão?

Eduardo: Sem duvida o aspecto mais importante a ser avaliado é quais são realmente suas necessidades e objetivos com uma suspensão. Procurar o modelo que mais se enquadra a suas necessidades e também no seu “bolso”,pois dentro de um determinado conceito existem diferentes níveis de equipamento.

Por exemplo:A pessoa que busca uma suspensão para equipar sua bike de uso na cidade, que a leva de casa para o trabalho, do trabalho para a faculdade e ainda nos fim de semana para um bom pedal pelas longas avenidas de sua cidade, pode ser algo mais simples e com o curso de funcionamento no máximo 80mm, um aspecto interessante neste caso é a trava, pois elimina o funcionamento indesejado da suspensão em determinados momentos.

Outra situação é aquele ciclista que quer potencializar sua Mountain Bike. Esta bike tem constante uso em estradas de terra e trilhas leves e em busca de mais segurança e estabilidade o piloto procura uma suspensão mais sofisticada, mas sem gastar nenhuma fortuna. As principais características que este ciclista deve buscar em uma nova suspensão são: Curso de funcionamento de 100 ou 120mm, trava, ajuste de compressão e retorno são bem vindos também. 

Resumindo: Quanto mais o piloto exigir do funcionamento da suspensão mais sofisticada ela deve ser e quanto mais extremo for seu uso, condições e aspectos do terreno, mais curso de funcionamento a suspensão deve ter.  

CicloFemini: Há uma grande diferença de preço entre as suspensões. Qual o principal fator que encarece ou barateia o produto?

Eduardo: Não existe um único e determinado fator que encarece ou barateia uma suspensão ou amortecedor, essa diferença de preço pode variar de acordo com o sistema de funcionamento, material utilizado em sua fabricação, ajustes e regulagens que o equipamento pode oferecer ao piloto.

O preço varia basicamente pela qualidade da suspensão. Existem modelos de suspensões, destinadas para determinado conceito que são mais caras naturalmente, pois tem uma exigência muito grande do equipamento, então mesmo os modelos mais simples ainda possuem um custo elevado.

Suspensões destinadas para o ciclismo extremo, como as modalidades Down Hill e Freeride, que sofrem muito impacto o tempo todo e não tem nem como serem “simple”, conseqüentemente são mais caras naturalmente. Possuem muito curso, geralmente em torno de 160 a 200mm e muitas regulagens de funcionamento como:(compressão, pré carga, retorno,”1º e 2º stroke entre outros. 

CicloFemini: Qual a diferença de uma suspensão ar e a óleo?

Eduardo: Na verdade o “ar” e o “óleo” trabalham em conjunto no funcionamento de uma suspensão. Geralmente este sistema é utilizado em suspensões mais tops, pois permite um ajuste preciso do funcionamento de acordo com o peso do ciclista, devido a câmera de ar presente no interior da suspensão é possível encher (deixar a suspensão mais dura) ou murchar (deixar a suspensão mais mole) de acordo com a necessidade, e o óleo, além da lubrificação, tem a função de travar todo o sistema da suspensão (não permitir que ela funcione) geralmente através de uma alavanca no topo do lado direito da suspensão pode bloquear o fluxo de óleo eliminando o funcionamento indesejado do equipamento. Os modelos mais simples de suspensões possuem um funcionamento por mola, mola e óleo ou elastômero (uma espécie de borracha flexível)

CicloFemini: Com relação a suspensão traseira quais são os tipos existentes e quais as principais diferenças?

Eduardo: É simples, para cada diferente modelo e conceito de suspensão presente no mercado existe um amortecedor traseiro que é compatível. Ou seja, seguem basicamente os mesmos padrões das suspensões dianteiras, a diferença é que um ajusta a roda dianteira e o outro a roda traseira.

O funcionamento e as regulagens de ambas suspensões, dianteira e traseira, são basicamente os mesmo entre um e outro. Por exemplo:

Para o Cross Country o curso da suspensão como do amortecedor traseiro deve ser entre 80 e 120mm no máximo. Para o Trail de 130 a 150mm. Para as All Mountain 140 a 180mm. Para o Freeride 160 a 200mm. Para o Downhill mais de 200mm. Isso vale para ambos os amortecedores. 

 

*Curso: é a distância percorrida pela suspensão, entre o seu estado inicial, ”zero de compressão”, e a sua compressão máxima.

 **Retorno: é a velocidade com que a suspensão retorna ao seu estado inicial após a compressão.