A cada dia me incomodo mais com o consumismo. Sinto falta de uma vida simples, saudável.

Desconectei-me totalmente deste universo que te impõem padrões, te impõem o que você deve ter para ser aceito, ter para aparentar ser.

Sinto-me sufocada diante desta pressão que nos empurra cada vez mais para um mundo injusto, perverso.

Quero sentir o vento na cara, o raio de sol, ver as flores do campo, sentir o cheiro da grama.

Só agora entendi o que Zé Rodrix cantou em uma das mais belas letras da MPB no anos 60.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar do tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando
Solenes no meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos
E um filho de cuca legal
Eu quero plantar e colher com a mão,
A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau a pique e sapê
Onde eu possa plantar meus amigos
Meus discos e livros e nada mais.

Sofri tanto para manter as aparências. Gastei tanto para estar na moda, consumi tanto para agradar os outros.

E o que restou de tudo isto?  Um aprendizado maravilhoso!

Hoje tenho a plena convicção do que quero. É a convicção que vem do mais profundo sentimento. Quero viver na certeza da simplicidade, quero ser aceita do jeito que sou, simples assim, sem ter que provar nada, gastar nada, consumir nada.

Quero uma vida simples onde eu tenha o direito de usar chinelos e ser bem recebida em qualquer lugar.

Quero uma vida simples cujo homem que me amar vai enxergar a minha beleza através do meu cabelo desgrenhado, da minha camiseta frouxa e amassada, do meu momento de confusão. Quero uma vida simples cujo homem que me amar vai valorizar as marcas em meu rosto e saber que representam cada ano de experiência e maturidade. Que vai ver a beleza do meu sorriso e da minha gargalhada frouxa e não as rugas ao redor dos meus olhos.

Quero uma vida simples sem fast food. Quero comer arroz, feijão e bife feitos em casa.

Quero a simplicidade de receber um abraço apertado e aconchegante no final do dia exaustivo de trabalho.

Quero a simplicidade de ser aceita como sou…assim meio boba…as vezes ridícula, uma mulher madura com espírito de adolescente querendo apenas uma vida simples, descomplicada, sem muita explicação, sem cobrança…apenas um simples ser no caminho infinito do aprendizado.

Quero uma vida simples para poder andar de bicicleta sem que me considerem uma pobre coitada sem carro ou uma doida.

Quero uma vida simples para poder errar sem ser julgada, para poder acertar sem ser exaltada.

Quero uma vida simples onde eu não seja descartável e seja simplesmente desejada na vida simples de outro alguém.