Andar de bicicleta permanece maciçamente marginal como um modo de mobilidade urbana cotidiana em todo o mundo, porém seu estado atual está começando a mudar.

Algumas das cidades mais prestigiadas do mundo – por exemplo, Nova Iorque, Paris, Barcelona e Londres – estão começando lentamente a se distanciar do uso do carro indo em direção ao uso da bicicleta na sua vida cotidiana.

Andar de bicicleta é estabelecer um novo formato de estilo de vida urbano da classe média.

As sociedades estão saturadas com os carros e as pessoas estão carentes de boa saúde, portanto os novos indicadores do “bom estilo de vida”, o andar de bicicleta, passa a ser observado por um novo olhar, uma nova perspectiva.

Andar de bicicleta tornou-se “cool”, tornou-se “fashion”, um renascimento entre a classe média, profissionais liberais e antenados com as necessidades urbanísticas de cada cidade.

Há esperança! A bicicleta está finalmente sendo revista como um ícone (potencialmente) global cosmopolita da vida urbana sustentável.

É importante que a sociedade transforme esta tendência, este modismo em algo duradouro. Devemos tirar partido da popularidade atual do ciclismo. Afinal, quem sabe por quanto tempo o carro teria durado se a sociedade não tivesse construído suas cidades em torno dele.

No final do século XIX a bicicleta passou a ser o meio de locomoção dos menos abastados, pois os ricos focaram a sua mobilidade nos carros.

Focados na sustentabilidade do planeta temos que ter agora ricos e pobres montados lado a lado em suas bicicletas.

Além disto, a bicicleta não pode ser entendida como um ‘brinquedo’ ou uma ‘ferramenta’, tem que ser encarada como um veículo e seu potencial deve ser explorado em todas as cidades para que possamos construir uma sociedade globalmente sustentável.

A elite da sociedade tem hoje a capacidade de mudar o cenário urbano das cidades retomando a bicicleta como seu principal meio de transporte. Quanto mais pessoas abandonarem seus carros e forem às ruas com suas bicicletas mais as cidades terão que se preparar para receber estes novos cidadãos, criando uma infra-estrutura de nível coletivo, não só para alguns, mas para todos.

A integração entre os modais e quanto melhor for à infra- estrutura para os cidadãos, mas fácil será a incorporação da bicicleta na sua rotina diária de locomoção.

Para se institucionalizar a bicicleta no sistema de locomoção de uma cidade ela não poder ser encarada como algo isolado. O sistema de locomoção dos cidadãos em uma cidade deve ser integrado, como por exemplo: uso do ônibus, metro, trem e a bicicleta, pois qualquer iniciativa isolada terá efeitos mínimos. Os sistemas devem trabalhar em conjunto para criar a soma de suas partes.

A construção de um sistema leva tempo; é um projeto incremental, mas também será o princípio de uma visão coletiva.

Os sistemas criados não podem ser segregacionistas e sim integracionistas quanto se pensa em um sistema modal de locomoção com bicicleta.

Diferentes lugares irão conceber e instalar soluções diferentes no processo de construção incremental de centralidade do ciclismo para o sistema de mobilidade urbana.

O desenvolvimento de um sistema global de bicicleta é um grande projeto coletivo em que todos nós podemos, na verdade estar envolvidos.

Em todos os lugares há muito trabalho a ser feito, por motivos de viabilidade humana no nosso planeta, contribuir para um sistema de bicicleta. Precisamos de novas infra-estruturas de ciclismo; novas histórias de ciclismo; novo ciclismo pensando; ciclo de novas lojas, novo ciclo de serviços de reparação e serviços de aluguéis de bicicleta; novos mapas orientados a andar de bicicleta, guias e sites; novo ciclo de estacionamento; mais orientadores nas escolas, faculdades e locais de trabalho.

Precisamos de pessoas para ajudar, apoiar e incentivar outras pessoas a andar de bicicleta. Quem e onde quer que estejamos, independentemente do que façamos, podemos contribuir para o novo sistema de bicicletas necessário para construir uma cultura mais ampla e melhor da sustentabilidade.

Andar de bicicleta não é uma escolha individual, é uma escolha social – ela é feita em outro lugar, por sistemas complexos, sobrepostos tornando-se a maneira sensata, lógica, racional, e agradável de se locomover.

Precisamos de um sistema para tornar a bicicleta o veículo global da mobilidade urbana, um veículo não só de e para uma nova elite global, mas independentemente de onde vivem, sua posição social e sua atitude em relação à sustentabilidade.

Texto adaptado do livro Cycling and Sustainability do professor John   Parkin.