Quando jovens acreditamos ser indestrutíveis. Temos a certeza cega de que nada de mal vai nos acontecer, quase beiramos a imortalidade. Quando falo da juventude não me refiro à fase da adolescência e sim do aqui e agora, do presente.

Quantos anos você tem, 30, 40, 50, um pouco mais? Seja sincero e honesto consigo mesmo, você ainda se considera imortal, não é? Ou no mínimo nem gosta de pensar no assunto.

Temos o hábito de adiar tudo àquilo que, não nos tornará imortal, mas certamente nos dará qualidade de vida e provavelmente longevidade.

Quantas dietas você iniciou em alguma segunda-feira? Quantas vezes você parou de fumar em uma segunda-feira? Quantas vezes iniciou os exercícios físicos em uma segunda-feira?

O nosso calendário de cuidados pessoais é repleto de segundas-feiras intermináveis. Mas infelizmente são dias completamente vazios, de fato nada acontece. Anos se passam e as segundas-feiras dedicadas ao início de uma vida saudável sempre são postergadas.

E quanto à saúde mental? Sem dúvida deve estar relegada a um terceiro plano. Muitos nem sequer cogitam fazer terapia ou cuidar do desenvolvimento emocional.

“Mens sana in corpore sano” (uma mente sã num corpo são) é uma famosa citação latina, no fim do primeiro século, derivada do livro As Sátira do poeta romano Juvenal. No contexto, a frase é parte da resposta do autor à questão sobre o que as pessoas deveriam desejar na vida.

“Deve-se pedir em oração que a mente seja sã num corpo são.

Peça uma alma corajosa que careça do temor da morte,

que ponha a longevidade em último lugar entre as bênçãos da natureza,

que suporte qualquer tipo de labores,

desconheça a ira, nada cobice e creia mais

nos labores selvagens de Hércules do que

nas satisfações, nos banquetes e camas de plumas de um rei oriental.

Revelarei aquilo que podes dar a ti próprio;

Certamente, o único caminho de uma vida tranqüila passa pela virtude.”

A conotação satírica da frase, no sentido de que seria bom ter também uma mente sã num corpo são, é uma interpretação mais recente daquilo que Juvenal pretendeu exprimir. A intenção original do autor foi lembrar àqueles dentre os cidadãos romanos que faziam orações tolas que tudo que se deveria pedir numa oração era saúde física e espiritual.

Via de regra, planejamos nossas vidas e acreditamos que sempre estaremos no controle. Mas nem sempre é desta forma que acontece. Com a idade muitos problemas podem aparecer, principalmente se você não se cuidar.

Os cuidados com a saúde física e mental no momento presente são fundamentais para a sua dignidade quando chegar a uma idade mais avançada. Quanto mais mantiver a vida equilibrada com exercícios físicos e a mente ativa melhor será a sua qualidade de vida quando atingir a fase idosa.

Não se feche em um casulo imaginando que as situações adversas irão acontecer somente “lá fora” com outras pessoas e nunca com você.

Se você posterga o cuidado de sua saúde física e mental para um futuro qualquer poderá ser pego de surpresa e nunca mais conseguirá sair do seu casulo. Ficará eternamente dentro dele e nem sequer saberá que está lá isolado em um mundo aparte, sofrendo e fazendo os outros sofrer também.

A expectativa de vida das pessoas no mundo é cada vez maior.  Os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base no Censo 2000. A população brasileira vive, hoje, em média, de 68,6 anos, 2,5 anos a mais do que no início da década de 90. Estima-se que em 2020 a população com mais de 60 anos no País deva chegar a 30 milhões de pessoas (13% do total), e a esperança de vida, a 70,3 anos.

De acordo com os estudos viveremos muito mais, portanto precisamos desde já criar e cultivar hábitos saudáveis para manter o corpo e a mente sãos.

Atualmente cuido de mãe que, aos 72 anos de idade está com demência devido à senilidade. Entre as doenças mentais provenientes da idade avançada o Alzheimer é a demência mais comum e não tem cura.

Como qualquer doença que afeta as faculdades mentais, o Alzheimer te trás o sentimento da compaixão, mas também provoca sentimentos como a irritação, raiva e revolta e lamentavelmente a culpa.

Minha mãe que sempre foi uma mulher forte, independente e decidida, tornou-se frágil, carente e emocionalmente desequilibrada.

Recentemente a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) divulgou uma previsão assustadora: em dez anos, vai quase dobrar o número de pessoas com essa doença no Brasil. Hoje, há cerca de 16 milhões de brasileiros com mais de 80 anos, faixa etária em que a porcentagem de casos de Alzheimer pode chegar a 40%. Em 2 017, serão 24 milhões de idosos acima dessa faixa etária. Se, entre esses, houver 10 milhões com demência senil e se contarmos aqueles que estão em volta deles – filhos, marido e mulher, irmãos, acompanhantes -, estamos falando de um universo de talvez 40 milhões de pessoas.

O mal de Alzheimer é muito mais que a perda de memória é uma doença complexa, progressiva, cujo doente perde as referências, porque um de seus sintomas é a alteração da personalidade. Essa mudança aumenta com o passar do tempo e vai contaminando as relações sem que os envolvidos se dêem conta.

Quando percebi que algo de errado estava acontecendo com minha mãe já não havia muito o que fazer, a não ser tratá-la com muito amor, compaixão e conforto para tonar a vida dela mais digna e suportável. Não é fácil ver uma pessoa que você ama se transformar em outra pessoa e ainda saber que o processo é degenerativo e irreversível.

A vida de quem convive com uma pessoa com este problema muda completamente. Tudo necessita de adaptação, a começar com o seu próprio comportamento, o ritmo da casa, os costumes, gastos financeiros, horários, alimentação, a freqüência das pessoas na casa, os detalhes de segurança, enfim tudo muda radicalmente.

O segredo para tornar a situação mais leve é o amor, a compaixão e principalmente a aceitação.

Apesar da expectativa de vida ter aumentado e da quantidade enorme estudos e pesquisas sobre doenças atreladas a senilidade muito pouco se sabe a respeito, muito pouco mesmo.

O fator genético pode ser uma causa, mas a doença tem sido também associada a fatores externos, como impulsos elétricos, stress e alimentação (a incidência de alumínio encontrada em cérebros de portadores da doença é altíssima). Uma pesquisa feita há alguns anos mostrou que entre os portadores de demências senis há uma grande porcentagem de pessoas solitárias – ou melhor, que se dizem solitárias, mesmo não sendo.

Dizem que Alzheimer é mais comum entre pessoas depressivas, incapazes de superar as próprias perdas, pessoas que guardam mágoas e alimentam o sofrimento.  Está aí a necessidade de buscarmos ajuda para o desenvolvimento emocional ao menor sinal de tristeza ou depressão, fique atento!

Enquanto os médicos e cientistas estão em busca de respostas, defenderei insistentemente e persistentemente a adoção de uma vida saudável com alimentação balanceada, prática de esportes e atividades que estimulem o cérebro.

Para não viver eternamente em um casulo saia dele agora e tome uma atitude de amor,  honesta e pró-ativa com a pessoa mais importante neste mundo, você mesmo e principalmente com a pessoa que você será em um futuro breve.

O seu futuro é a somatória de suas ações presentes.

Lembre-se não falei nada de novo, no fim do primeiro século o poeta romano Juvenal já havia dito: Mens sana in corpore sano.

 Fontes de pesquisa e inspiração

Conhecimento empírico: Minha vida com minha mãe

Web site: Wikipedia

Academia Brasileira de Neurologia

Empresa: Serasa

Revista: Claudia

Jornal: Folha de São Paulo

Livro: O Lugar escuro, uma história de senilidade e loucura, Heloisa Seixas.

Curso de auto-desenvolvimento: Processo da Quadrinidade do Centro Hoffman e Avatar de Harry Palmer.