Posso considerar, sem medo de errar, que 2011 foi um dos melhores anos de minha vida.

Depois de 32 anos atuando no segmento de Tecnologia da Informação – profissão que sempre amei e, através da qual, pude conhecer mais de 20 países, centenas de cidades, milhares de pessoas e culturas – me deu aprendizado e maturidade suficiente para decidir encerrar a carreira na área e iniciar uma carreira totalmente nova, do zero.

O lançamento do Ciclofemini e tudo que girou e gira em torno deste projeto, na realidade, uma proposta de vida, é que tornou o ano de 2011, tão único, tão especial.

Convicta afirmo que a minha carreira no segmento de TI era a profissão da razão e o CicloFemini é a minha profissão do coração.

E como tudo o que vem do coração, vem recheado de emoções, de leveza e de beleza. As pessoas e amizades que conquistei durante este ano foram todas assim.

A grande maioria das pessoas que, participaram dos meus cursos, palestras e eventos tornaram-se amigos queridos, amigos exemplos, amigos inspiradores e motivadores deste meu novo trabalho.

Uma destas pessoas é a Fabíola Rodrigues, uma competente executiva da área de TI, que quando está montada em uma bicicleta é uma verdadeira “jagunça”, assim nos apelidamos carinhosamente quando pedalamos por trilhas duras, com a cara cheia barro, mas muito, muito felizes pela superação dos desafios.

Fabíola participou do meu primeiro curso de mountain biking básico, em março deste ano. Chegou com o sorriso largo e aberto – uma de suas características marcantes – cheia de energia e vontade de aprender.

Fabíola participou do primeiro curso e de todos os outros do calendário do CicloFemini, e quando o calendário já não tinha mais nenhum curso ela não parou, foi em busca de outros cursos com outros atletas.

A vontade de aprender, de ser cada vez melhor é um traço forte de sua personalidade. Fabíola é guerreira, é corajosa e destemida.

Fabíola representa aqui todas as outras alunas do CicloFemini, que assim como ela, também, são guerreiras, corajosas, destemidas, determinadas. Têm vontade e muita alegria de viver. Querem experimentar o novo, querem se superar a cada dia.

Ao longo de 2011 presenciei a mudança física e emocional de muitas mulheres.

Estas mulheres comprovaram que é possível se reinventar sempre, basta ter energia e fé em si mesma.

Conheça um pouco mais do perfil de Fabíola na entrevista que me concedeu esta semana. Perfil característico das mulheres que passaram, que estão e que virão para o CicloFemini.

CicloFemini:  Deste o primeiro curso de MTB que você fez em março deste ano, o seu conceito de mountain biking mudou?

Fabíola: Na verdade meu conceito sobre mountain biking mudou quando decidi fazer minhas primeiras trilhas. Queria esvaziar a mente e me desestressar do dia-a-dia, então resolvi fazer algo que gostava. Pedalar. Resolvi fazer trilhas.

Realmente esvaziei a mente, mas tomei consciência de que muito precisava aprender para poder executar com segurança este esporte tão maravilhoso e que faz nos sentirmos livres. Em março fiz o curso e muito puder aplicar nas trilhas. Ganhei segurança e técnica e isso aliado ao prazer, fez do meu MTB, um esporte que me proporcionou uma sensação de liberdade impar.

CicloFemini:  Qual foi à importância da participação dos cursos? O que acrescentou em seu conhecimento de MTB?

Fabíola: Antes de fazer o curso, tinha vontade de pedalar nas trilhas em meio a natureza, mas sentia uma certa insegurança. Não sabia na verdade que existiam técnicas para descer ou subir determinados obstáculos. Depois de aprender algumas técnicas o medo diminuiu muito. Pude sentir o prazer de saber que “eu posso“. É uma sensação maravilhosa, poder sentir que você consegue fazer uma descida técnica com segurança.

Passei a pensar, “se eu consigo fazer isso, consigo qualquer coisa.”

 CicloFemini:   O que a bicicleta representa para você?

Fabíola: Liberdade, conquista e um novo estilo de vida saudável.Com ela posso mostrar meu verdadeiro eu. Eu sou eu mesma com minha bike

 CicloFemini:  Você participou de quantas competições neste ano?

 Fabíola: Quantas? hum… 4 no total.Short Track São Silvano, 2º Fase do Ravelli, Pedal Leve e o MTB 12 horas.

 CicloFemini:     O que te motivou a participar das competições?

 Fabíola: Minha amiga Claudia Franco. hehehe! Foi ela quem me motivou. Com a competição mantenho uma certa regularidade (disciplina) no esporte, já que a vida da mulher de hoje é cheia de trabalho e muitas vezes com jornadas duplas e até triplas.

É uma meta a ser alcançada e para isso me disciplino a sempre estar em contato com o esporte para poder cumpri-la.

CicloFemini:   Qual a sensação quando você está lá no meio da competição?

Fabíola: Puts! É uma adrenalina total. Um misto de medo e alegria quase indescritíveis. Como sou iniciante sempre tenho como objetivo participar e vencer meu próprio desafio (a mim mesma).

No meio da competição muitas vezes entro em um território que chamo de “limbo”. É um momento muito forte de briga interior que me faz querer desistir e continuar ao mesmo tempo.

É como na vida, muitas vezes somos impulsionados a desistir ou a continuar. Cabe a cada um escolher.

 É o momento de sentir a respiração, pensamentos, algumas vezes até dores, mas também mostrar para nós mesmo o “quão somos capazes, o quão podemos”.

 Muitas vezes eu grito para mim mesma. VAI !!!! VAI !!!! MAIS UM POUCO !!!! VOCÊ PODE !!!!!

 É o meu momento. É simplesmente eu comigo mesma. Meu maior incentivador e minha maior vilã. EU.

CicloFemini:  E depois quando termina, qual a sensação?

Fabíola: E quando termino, quando venço a mim mesma é sensacional. É uma sensação maravilhosa que toda mulher deve sentir. Eu sou é muito Bôa!!!!

Não estou falando de colocação ou ganho de medalhas, estou falando aqui de satisfação pessoal. É algo que somente você pode se dar e é algo impagável.

É sentir na pele o seu valor, o quanto você batalhou e se esforçou e CONSEGUIU vencer a si mesma, mesmo que tenha passado por sol forte, chuva, lama, medo. Você venceu porque não desistiu e chegou no fim.

Sabe, aquele dia em que acordamos e nos olhamos no espelho e nada esta bom, tudo parece feio e nos sentimos feias, gordas, fracas e com celulite?

Aqueles momentos da competição vem como um vídeo na minha mente e sempre termino me lembrando da frase… Eu sou é muito Bôôa… hehehe!!!

 Bom, ai é só passar uma maquiagem sacudir a poeira e bola pra frente ou, bike pra frente.

 Realmente é uma sensação que pode ser levada para fora das trilhas, além da bike. É algo para cada segundo de sua vida.

CicloFemini:     Qual a sua recomendação para as mulheres que são amadoras e ainda não se animaram a participar de uma competição?

Fabíola: Experimente. A satisfação pessoal e a descoberta do seu valor, são sensações únicas. Experimente!

Vá. Dê este presente para você mesma, se você gostar faça mais vezes se não gostar, você ao menos tentou. Experimente.!

Na minha ultima competição, MTB 12 horas, logo depois de conseguir pedalar mais de 7h30 minutos em meio a sol forte,lama, chuva, single track técnico e de noite eu percebi que estava vencendo a mim mesma e gritei com força vindo para casa toda cheia de lama “Eu sou é muito Bôôôa!!! uhu!

Foi difícil, tinha muita gente profissional e eu sentia medo. Na noite anterior eu quase “amarelei”e arrumando minha bermuda para o dia seguinte disse para mim mesma: “Quer saber?! Eu vou!”

Para minha surpresa os profissionais me deram a maior força gritando: “isso ai vai, não para não, não desiste não,muito bem”. Eu observava os movimentos precisos, coragem e força vindas sei lá de onde e aprendi muito.

Especialmente a deixar meu orgulho de lado, minha vaidade de lado e deixar a mulher corajosa gritar forte, ouvia as pessoas da arquibancada gritarem meu nome nas subidas, ouvia as pessoas gritarem o número da minha bike para não desistir, mesmo estando escuro, com chuva e muita lama.

Me superei! Foi assim que senti ao terminar a prova. Fabiola! Você se superou, uhu!!! Era isso que eu gritava por entre as arvores em meio a noite com a trilha sendo iluminada apenas pela minha lanterna e com a chuva caindo sobre meus ombros. Grite para você mesma. Eu me superei. Eu sou é muito Bôa!!!! 

CicloFemini:   Cicloviagens, você já participou de várias. A ciclcoviagem é melhor que uma viagem normal de carro ou avião? Se sim, explique o porque. 

Fabíola: Depois de fazer a primeira viagem de bike não penso em viajar de outra forma.

Quando pedalamos por entre paisagens, ruas de uma cidadezinha, povoados, montanhas e estradas temos a possibilidade de ver os detalhes. Passamos a fazer parte do meio. 

É maravilhoso pode pedalar por uma estrada que tem em sua beira macieiras e sentir o perfume das maçãs, poder esticar o braço e comer algumas em uma sombra ouvindo o som do ambiente. 

É realmente sentir-se parte do meio. Descobri que fazer uma viagem é mais do que se chegar ao destino final e sim participar do meio pelo qual se chega a este destino… É sentir o vento no rosto a força do corpo a respiração conectada com a energia ao redor. 

Gosto da poeira, do cheiro de terra, do suor lavando a alma e depois na chegada poder jogar uma água no rosto e sentir o frescor dela escorrendo pela minha face. 

É maravilhoso poder observar detalhes que dentro de um carro passam desapercebidos como uma sombra em uma arvore frondosa repleta de amora em plena estrada, ou melhor ainda, é poder andar pelo campo que circunda a estrada (lugar na qual, o carro nem chega…) tomar água da bica, o som dos pássaros ao redor, tudo isso sempre com o brilho do sol ou mesmo com o lavar de uma gostosa chuva… Por que não?! Aproveitar a chuva nestas ocasiões eu costumo dizer que é como lavar a alma. 

E quando mostro minhas fotos sempre ouço o comentário: “Nossa, que paisagem linda, eu também fui para o mesmo lugar, mas não tinha reparado nisso”.  E eu respondo: É que você estava de carro e eu estava com minha bike, livre e fazendo parte de tudo que estava em volta.

Esta é Fabíola Rodrigues, executiva de TI, Biker e uma linda Mulher!