Ciclofemini
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Na natureza a competição favorece um processo seletivo que culmina, geralmente, com a preservação das formas de vida mais bem adaptadas ao meio ambiente, e com a extinção de indivíduos com baixo poder adaptativo. Assim, na ecologia, a competição constitui um fator regulador da densidade populacional, contribuindo para evitar a superpopulação das espécies.

A  racionalidade do ser humano foi exatamente o que permitiu ao mesmo driblar a seleção natural, por isto o ser humano não está sendo selecionado pela natureza para evoluir. O fato de não haver uma competição natural entre os seres humanos, foi o que nos proporcionou excepcional adaptação na natureza.

Entretanto esta mesma racionalidade que colocou o ser humano em uma condição de vida ímpar neste planeta é a responsável por tantos outros problemas do “Ego”.

Algumas pessoas só de ouvirem a palavra competição sentem temor. Já se colocam em uma posição de desvantagem, de incapacidade, pois a disputa pressupõe que haverá um perdedor e antes se quer de fazer qualquer tentativa concluem que certamente serão perdedores. Outros têm a atitude contrária crêem que a melhor forma de viver é através da disputa acirrada, não suportam o sucesso alheio e partem para a competição predatória.

Vivenciamos atualmente a competição emocional que permeia o meio ambiente em todas as esferas. Apesar do ser humano ter superado a seleção natural da natureza para evoluir, ainda mantém em seu DNA este instinto de competição no nível emocional, porém de forma predadora.

Muitos indivíduos descrentes de si mesmos e pelo simples medo de se sentirem perdedores  tentam eliminar ou aniquilar o seu competidor utilizando-se de armas que afetam o próprio comportamento e o comportamento do seu alvo. A competição predadora emocional existe em todos os níveis, entre colegas de trabalho, entre homens e mulheres, entre crianças na escola. Todos querendo provar o quanto são melhores ou superiores aos outros. Levando- os  a uma patologia cruel, consciente ou não, que culmina em frustrações, tristezas, maldade e até crueldades.

A competição na sua forma negativa é extremamente limitante. O indivíduo que passa a ter extrema admiração por outro e que deixa esta admiração crescer de tal forma a desejar  ser o próprio objeto de sua admiração atinge o cume do sentimento da competição: a inveja.  A inveja é um sentimento que mata a capacidade de crescimento e de criação do próprio indivíduo. O mesmo fica tão focado em competir e destruir o seu alvo que esquece de si próprio de suas capacidades e habilidades.

Aquele indivíduo que  nutre-se  deste sentimento de competição predadora, alimentando a inveja não percebe que está limitando e sua própria capacidade de criar, de inovar. Acredito que esta inveja seja fruto de uma insegurança extremada. O indivíduo sente-se menos capaz.  Admira tanto os feitos de um terceiro a ponto de se anular e desejar viver a vida de seu alvo.

Freqüentemente na sociedade nos deparamos com situações como esta. Pessoas que copiam projetos, pessoas que copiam idéias, estilos de vida, pessoas que querem ser outras pessoas, simplesmente pelo fato de não se amarem o suficiente, de não se acharem tão capazes quando o outro, tão suficientes quanto o outro. Amam e desejam tanto o outro a ponto de se anularem e de partirem para uma disputa cruel, de eliminar, extirpar do seu convívio aquele o faz sentir incapaz e infeliz consigo mesmo.

Apoderam-se das idéias, se infiltram no círculo de amizade, se vitimizam, se colocam na pele de cordeiros. Tentam se apoderar da vida do outro, pois não conseguem ser felizes consigo mesmos, não conseguem acreditar em si mesmos, não conseguem gostar e/ou admirar suas próprias criações. São acumuladores de frustrações, insucessos profissionais, insucessos amorosos, entre outros.  Atrelam sempre o seu insucesso a terceiros.

Estes seres sem perceber  competem consigo mesmos, em uma batalha injusta, não se permitindo alimentar a da luz divina do poder da criação que todos os seres humanos possuem, não permitindo amar a si próprio, não se permitindo a acreditar em seu próprio poder de brilhar.

A sociedade, o mercado de trabalho, as instituições de ensino instigam cada vez mais esta competição. A sociedade consumista acirra ainda mais a valoração do Ter do que o Ser. Os indivíduos são impulsionados para serem os melhores, para se destacarem, para se diferenciarem dentro de padrões e razões inexplicáveis.

O indivíduo que sucumbe a esta onda e passa a competir desta forma, estabelece de imediato a sua derrota. Sempre será um perdedor de fato. Sempre estará atrás do seu alvo constante de desejo. Nesta ânsia  insana de estar sempre sobre a luz dos holofotes os indivíduos não seguros de si passam sistematicamente a se apropriar das idéias alheias, sem se darem conta que ao se apropriar ou copiar a criação de alguém já se posicionou em um segundo momento. É necessário esperar pela criação do outro para poder se apropriar de algo que não nasceu de si próprio. Já é um perdedor, já estará na segunda posição.

Neste ciclo de competição predatória, vampirazação, inveja, apropriação de idéias, o indivíduo se afunda, se aniquila, se destrói, se consome sem se dar conta que está competindo consigo mesmo, sem se dar conta de que está promovendo a sua própria seleção e auto-engano.

Por isto sem dúvida alguma afirmo que a maior competição é a competição consigo mesmo, aquela que é travada no campo de batalha da sua mente, no campo do seu próprio eu.

A ignorância a respeito de suas próprias limitações ou habilidades, o desconhecimento de si próprio, a impaciência e a ansiedade por ser algo, ou ter algo que pertence a terceiro o levará a derrota.

Portanto o primeiro passo e principal objetivo deveria ser vencer a si mesmo . Vencer a competição diária de viver com o seu próprio ser, sentindo-se capaz, hábil, eficiente, belo, harmonioso, feliz, pelo simples fato de poder respirar, poder ter vida, poder ver.

Por existirmos já nascemos vencedores, então faça desta sua existência algo prazeroso para si e para todos a seu redor, seja no esporte, na sua vida profissional, em seus relacionamentos de amizade ou amorosos.  Apenas admire e placidamente aceite  que sempre haverá alguém que, parece sob algum aspecto, ser melhor ou mais capaz que você mesmo, mas que nem por isto você deixará de ter o seu próprio valor, o seu próprio brilho.

Não copie idéias, seja original. Não dispute nada, faça por merecer. Descubra em si mesmo o seu real potencial, descubra em si mesmo o ineditismo de gerar suas próprias criações.

Foque em suas competências e não mais precisará competir nem consigo e nem com ninguém.