”Para que a libertação se torne realidade, deverá acontecer no país uma restauração, que se abre para o futuro. Dentro do país, terá que triunfar a justiça nas relações entre os cidadãos. Direito e justiça são o fiel da balança.”

O parágrafo acima poderia ser a fala de um político, de um educador, de um líder comunitário, enfim de qualquer pessoa no dia de hoje, mas este texto foi escrito na Bíblia (Isaias 61,1-11), que é o registro de várias pessoas, em diversos lugares, em contextos diversos. Acredita-se que tenha sido escrita ao longo de um período de 1.600 anos por cerca de 40 homens das mais diversas profissões, origens culturais e classes sociais.

Desde a mais remota época os homens clamam por justiça, pelas boas relações entre si, porém está nas mãos dos próprios homens mudar a situação, seja entre seus familiares, entre seus colegas de trabalho, entre seus visinhos, entre seus círculos de amizade ou na rua com estranhos.

Em todas as religiões, em todas as crenças iremos encontrar textos como este, clamando justiça, igualdade, amizade e respeito entre todos.

Ainda na Bíblia: “Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles”. (Mt 5,17).

Qual será o momento em que deixamos de entender o texto, ou melhor, o conselho de tamanha simplicidade e obviedade?

Qual será o momento em que deixamos de praticar estes simples fundamentos?

Dando a mão a palmatória sei que ao longo de minha vida nem sempre fui justa e nem sempre respeitei e amei incondicionalmente o meu semelhante, simplesmente porque em diversos momentos deixei ser justa comigo mesma, não respeitei minhas vontades e nem sempre me amei incondicionalmente. Se não o fui comigo mesma como posso afirmar que fui com o meu semelhante?

A reforma mais do que nunca é de dentro para fora e tem que ser feita diariamente, a cada momento.

Honestamente sei que quando eu realmente e profundamente mudar por dentro, dentro do meu país irá triunfar a justiça nas relações entre os cidadãos.