A inovação é a introdução de algo novo em qualquer atividade humana. É vetor de desenvolvimento humano e melhoria da qualidade de vida.

No que se refere a mobilidade urbana estamos passando por um importante momento de transição. Quando focamos nossos esforços no convencimento do uso da bicicleta é muito comum encontrarmos resistências de cunho filosófico, político, cultural entre tantas outras.

É fato que toda Inovação gera desconforto, indignação e resistência. É natural do processo.  Basta lembrarmo-nos dos adventos do uso do cinto de segurança, pedágio, fumar em ambientes públicos e fechados, uso de preservativos, entre tantos outros.

A inovação gera resistência, pois obrigada o indivíduo sair do status quo, a quebrar paradigmas, promover e aceitar mudanças.

É fato de que diversas transformações tenham afetado profundamente a sociedade, porém contribuíram significativamente para a evolução mundial.

Estamos vivendo um momento em que tudo muda constantemente. Somos forçados a buscar melhorias continuamente para poder sobreviver.

Movimentar uma massa gigante, ou seja, a população de uma cidade ou país, a se adequar a um novo contexto e novos padrões, é um trabalho de muitas gerações e investimento contínuo na Educação para o exercício da Cidadania.

A mudança é um caminho eterno, imutável, sem retorno possível e somente àqueles que aprendem a preveni-la, a provocá-la ou a aproveitá-la poderão ser seus aliados para viver de forma criativa”. Eduardo Soto.

Trabalhando com o ensino para uso da bicicleta seja para prática esportiva, laser ou urbano frequentemente sou abordada por pessoas que são resistentes ao uso da bicicleta, especialmente nos centros urbanos.

Elenquei aqui as quatros objeções mais fortes e comuns e meu ponto de vista ou argumentação a respeito das mesmas.

1- O ciclista atrapalha o trânsito e provoca lentidão. Para mim é esta afirmação é um mito. Hoje são muito poucos os ciclistas nas ruas. Não existe quantidade suficiente deles para atrapalhar o trânsito. O que existe são carros em demasia. Quando no trânsito basta olhar para o lado e verificar o que está provando o trânsito, é a quantidade absurda de carros. Nada contra eles, pois quando circulo de carro também faço parte deste cenário.

2- A criação de ciclorotas, ciclofaixas , vias especificas para ciclistas piora o trânsito da cidade: No primeiro momento pode dar a falsa sensação de privilégio e que este espaço irá faltar aos carros. Mas a medida que for criado espaços seguros para os ciclistas, mais pessoas deixarão de usar o carro (pelo menos alguns dias da semana) para utilizarem as bicicletas, consequentemente menos trânsito pela cidade. Este momento de transição é difícil, porém quando tudo pronto e organizado as pessoas nem se lembrarão do momento de transição. Acostumamos-nos muito rapidamente com o que é bom.

3- Impostos: Os impostos são uma forma de compensar os desequilíbrios sociais e não uma medida de quem merece mais atenção do governo ou mais privilégio ou direito. O pensamento “quem paga mais impostos tem mais direitos que os demais é equivocado. Do contrário os ricos da classe A teriam mais direito que todo o restante da população?

  • Outro dia destes alguém comentou  que, porque pagava IPVA tinha mais direito de estar na rua do que o ciclista. O IPVA é o imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores, não tem nada haver com o direito de andar nas ruas. Portanto O IPVA por definição não se aplica a bicicletas. E, ao contrário da crença popular, ele não é utilizado diretamente (e nem unicamente) para manutenção de estradas.
  • Para simplificar, todos os impostos vão para um “caixa”, que é utilizado para cobrir custos e investimentos diversos.
  • O imposto que o ciclista paga ao comprar a bicicleta também ajuda na manutenção de estradas. Quem compra uma bicicleta nova sempre paga IPI. Na compra de bicicletas importadas paga-se II – Imposto sobre Importação, entre outros. Para os carros, volta e meia há isenção de IPI, para bicicletas o que aconteceu a poucos meses foi a elevação da alíquota de IPI de 20% para 35%, que é a máxima permitida pelas regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

4- Ciclistas não podem ser impunes: Impunidade x Educação. Até o presente momento os ciclistas não são orientados sobre como conduzir a bicicleta com segurança. Pelo contrário: são frequentemente instruídos a pedalar na contramão ou pela calçada, muitas vezes pelos próprios motoristas. Punir o ciclista por não respeitar regras que ele não aprendeu é tão injusto como perdoar o motorista que infringe as regras que ele foi obrigado a aprender. A solução está em instruir a todos como se comportar no trânsito, desde a escola, estejam em carros, em bicicletas ou a pé. Afinal, o trânsito é feito de pessoas!