Livre Arbitrio

Comprar uma briga de vez em quando…

Com relação aos assuntos educação, a sustentabilidade, preservar o meio ambiente, respeitar os sinais de trânsito, faixa de pedestre, assentos para idosos, cidadania, entre tantos outros assuntos não menos importantes, a frase que tenta mover as nossas ações para o único sentido do correto e do bem é: Faça a sua parte!

Penso nisto com freqüência: será que estamos todos verdadeiramente e honestamente fazendo a nossa parte?

Se sim, por que continuamos com as ruas imundas, paredes pichadas, agressões no trânsito e desrespeito a tudo e a todos? Simplesmente porque nem todos estão “Fazendo a sua parte”.

Por exemplo, me canso de ver fumantes jogando as bitucas de cigarro pelas janelas de seus carros, como se a rua não lhes pertencessem. Por que não deixam os restos de seus vícios dentro do próprio carro?

Não adianta apenas uma parcela da população “fazerem a sua parte”. Todos sem exceção precisam “fazer a sua parte”.

Então vejo que a solução é educar, educar e educar exaustivamente.

Para aqueles que já fazem a sua parte sugiro que fiscalizem aqueles não estão fazendo.

Fazer a sua parte não significa ficar ali prezo no seu próprio mundo e ficar calado, paralisado só reclamando dos que ainda não estão agindo corretamente.

Defender os direitos de todos

Para quem já faz a sua parte é necessário dar um passo adiante rumo à educação. É necessário ter atitude pró-ativa, é necessário agir, é necessário corrigir àquele que ainda não percebeu que o mundo não é a sua lata de lixo.

Seja um agente de mudança. Seja um fiscal. A lei nos dá este direito, podemos exigir do outro a ação correta e o respeito, mesmo que lhe custe comprar uma “briga”.

Hoje dei passo nesta direção. Decidi que não mais iria ignorar ou me ausentar de tomar alguma atitude quando presenciasse alguém cometendo uma infração, seja ela qual fosse.

Hoje pela manhã ao passar perto do estacionamento do caixa automático do banco, um carro entrou na vaga para pessoas com necessidades especiais. Aguardei um momento até a pessoa sair do carro.

Não foi nenhuma surpresa, ver uma jovem em perfeita condição física sair do carro sem a menor demonstração de constrangimento.

Parei diante dela e pedi a ela que retirasse o carro da vaga. Ela se recusou e foi andando em direção a agência do banco, eu a acompanhei exigindo que ela retirasse o carro da vaga. Ela entrou na agência e eu entrei junto pedindo a ela que retirasse o carro da vaga. Disse a ela que chamaria o gerente da agência caso ela não saísse naquele momento e fosse retirar o carro, ela continuou a se recusar. Então falei bem alto para que todos pudessem ouvir. “Você deveria ter vergonha de ocupar uma vaga exclusiva para deficientes, você é perfeita, não tem defeito físico nenhum. Você pode andar, você tem saúde e condição física para isto. Se você não retirar o seu carro da vaga agora vou chamar a polícia e vou chamar a televisão.” A moça baixou a cabeça, saiu da agência e retirou o carro da vaga.

Sai dali me sentindo cidadã do mundo. Ganhei o dia. Finalmente senti que eu não estava mais fazendo somente a minha parte, senti que eu estava dando o exemplo, senti que estava ensinando o outro a fazer a parte dele.

Seja um agente de mudança. Não tenha medo e nem receio. Não faça somente a sua parte, ajude o outro a entender que ele também precisa e deve fazer a parte dele.

O individualismo de nossos dias promove as más ações. Quem faz o correto e o bem é considerado bobo. Quem faz o correto sempre tem a impressão de sair perdendo. A famosa lei de Gérson (tirar vantagem de tudo) ainda impera.

Abandone a omissão. Seja um Agente de Mudanças

Temos o livre arbítrio, mas pecamos diariamente por omissão. Precisamos acordar antes que seja tarde.

A omissão é um dos maiores males dos nossos tempos. A frase “Fazer a sua parte” acaba induzindo o indivíduo à omissão, porque entendemos que fazer a nossa parte tem haver somente com a própria atitude, mas fazer a nossa parte é também ajudar o outro a fazer a parte dele.

Não seja omisso, seja um agente de mudanças nem que para isto você ainda precise “comprar” algumas brigas.

Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada – Edmund Bruke