Participei da minha primeira viagem de bicicleta em Setembro de 2009. Esta viagem foi um treino para o Tour de La Patagônia que foi realizado em Fevereiro de 2010. A viagem era o teste para eu poder “carimbar o passaporte” para a Patagônia.

Percorri em 2 dias 150Km.Como todo percurso elaborado pela Tribo do Pedal Selvagem teve muita subida. Não há muita escolha, pois a região é de serra. Fomos da cidade de Mairiporã para a cidade de Joanópolis.

Para mim em especial foi um teste duro e muito exigente. Demandou de mim mais que esforço físico, demandou o controle emocional, pois a dor, a falta de fôlego foi tanta que passei mal diversas vezes. Em alguns momentos quase sucumbi sob o sol de 39 graus e a falta de preparo físico adequado para este tipo de trilha.

Ontem, dia 4 de dezembro de 2010, quando participei da clínica de mountain bike realizado pela Officina, na Fazenda Park São Silvano, também passei pelo mesmo desafio. O calor estava muito forte, por volta de 33 graus e o ar muito seco. Comecei a passar mal como há muito tempo não acontecia.

Nos dois eventos o que mais me chamou a atenção foi em primeiríssimo lugar a Mão Amiga.

Na viagem de Mairiporã a Joanópolis contei com uma pessoa que foi mais que um amigo foi um irmão, um super companheiro, foi o Dago. O Dago é uma das pessoas mais incríveis que conheci nos últimos tempos. Se existe alguém que consegue ser paciente, amigo, que consegue dar conforto é o Dago. Além de todo carinho e atenção para comigo, ao longo do percurso o Dago me deu muitas instruções para controlar a respiração e as pedaladas.

Ontem na clinica da Officina quando já estava quase parando em uma subida forte senti uma mão apoiar-se nas minhas costas e começar a me empurrar. Era o Márcio Ravelli. Com toda a paciência, amizade, carinho e muita força física, equilíbrio e preparado me empurrou durante todos os trajetos de subida.

O Ravelli não só me empurrou como empurrou também o prof. Arnaldo. Durante vários momentos na trilha ele terminava de empurrar um, voltada para buscar o outro no início da subida.

Tanto o Dago que me ajudou com palavras de incentivo durante o Super Trip e o Ravelli que me ajudou também com palavras e empurrando a minha bike devem desconhecer o tamanho do valor que é uma atitude destas, porque pessoas como eles que tem o coração enorme, muito amor e humildade, são espontâneas e agem com naturalidade sem perceber o bem que estão fazendo.

Na prática do mountain bike, encontrei muitas pessoas assim. Via de regra todos são bem humorados, te recebem bem e a prática da solidariedade e camaradagem é constante.

Praticando o mountain bike aprendi que não importa o quanto à situação seja desafiadora, seja difícil e que pareça final do caminho, se você tem uma Mão Amiga, simplesmente se entregue a ela, pois esta mão amiga é a diferença entre o seu sucesso ou o seu fracasso.

Aprendi que existem sim pessoas solidárias, pessoas altruístas e pessoas que se preocupam com o bem estar do outro. Aprendi que muitas vezes a gente não pode tentar fazer tudo sozinho e que devemos compartilhar as nossas fraquezas com os outros e pedir ajuda sem nenhum constrangimento.

Ao Dago, ao Marcio Ravelli, ao Prof. Arnaldo e a todo o time da Tribo do Pedal Selvagem e da Officina que me deram apoio, deixo registrado aqui o meu muito, muito obrigada pela Mão Amiga.