Mais uma vez passamos pelo período em que muitos acreditavam que o mundo iria acabar no final do ano. Dois mil e doze foi mais um ano onde muitos passaram por grandes dificuldades e outros que agradecem pelas benesses do período.

Guarujá Litoral de São Paulo
Guarujá Litoral de São Paulo

O mundo não acabou,  embora eu tenha o sentimento de que homem a cada dia está se dedicando mais e mais para colocar um fim no planeta. Com o aumento em demasia da criminalidade, agressividade absurda e gratuita no trânsito, nos grandes centros, vê-se que o sentimento coletivo de autodestruição cresce desenfreadamente.Quando as pessoas comentam a respeito do final do mundo é como se uma força externa de exterminação proveniente dos “céus” tivesse o poder de cair sobre a pobre Terra e seus habitantes, e acabasse com tudo em poucas horas.

Neste pensamento absurdo as pessoas simplesmente terceirizam a sua responsabilidade de manter saudável sua própria vida e a vida do planeta.

Nas semanas após as festividades de Natal e Ano novo a sensação que tive era de que as pessoas estavam enlouquecidas e determinadas a colocar um fim no planeta.

Visitei o litoral Paulista e fiquei completamente desolada com a depredação das praias. A quantidade de lixo espalhada por elas era assustadora. E mais assustador ainda foi assistir ao festival de desrespeito,  falta de educação e a postura das pessoas com relação ao meio ambiente. Não se importando com absolutamente nada, as pessoas descartavam seus lixos sem nenhuma preocupação pelas ruas, calçadas, praças e pelas praias. Famílias grandes, em barracas nas praias pareciam entorpecidas, pareciam não pensar, não raciocinar, pareciam apenas querer consumir o máximo possível para descartar os resíduos do consumo ao seu redor. Deixavam as praias ao final da tarde deixando todo o lixo para trás, como se a praia, as calçadas, enfim, como se o planeta fosse uma enorme e infindável lata de lixo.

Parque Ibirapuera São Paulo
Parque Ibirapuera São Paulo

A Cidadania é a expressão concreta do exercício da democracia. Exercer a cidadania plena é ter direitos civis, políticos e sociais. Mas é também estar ciente e exercer seus deveres. A Cidadania é a participação consciente e responsável do indivíduo na sociedade.

As pessoas simplesmente se esquecem disto, da sua responsabilidade na sociedade, da sua responsabilidade sobre a vida do planeta que habita.

Entendo que a produção de resíduos, de lixo, é inerente à condição humana. Porém fazer dos lugares públicos uma lata de lixo a céu aberto é absolutamente ignorante, irresponsável. Mesmo jogando o lixo na lixeira, temos que lembrar que a mesma não desaparece com o lixo, que continua existindo em algum lugar.

Não há como não produzir lixo, mas devemos por princípios éticos, de cidadania e respeito ao meio ambiente, saber que o lixo tem o lugar certo para ser descartado e que podemos diminuir a sua produção reduzindo o desperdício, reutilizando sempre que possível e separando os materiais recicláveis para a coleta seletiva.

Como pensar em um mundo melhor para os filhos se agora, no presente, as pessoas ainda descartam o lixo em qualquer lugar?

Cada brasileiro produz 1,1 quilograma de lixo em média por dia. No País, são coletadas diariamente 188,8 toneladas de resíduos sólidos. Desse total, em 50,8% dos municípios, os resíduos ainda têm destino inadequado, pois vão para os 2.906 lixões que o Brasil possui.

Menos de 5% do lixo urbano é reciclado.

O lixo causa enchentes, entope bueiros e diminui a vazão de água. É um dos maiores problemas da sociedade moderna. Trinta por cento do lixo brasileiro fica espalhado pelas ruas nas grandes cidades.

Estação Julio Prestes São Paulo
Estação Julio Prestes São Paulo

Para a fabricação de uma tonelada de papel são consumidas 17 árvores. Com 40 quilos de papel velho se evita o corte de uma árvore.O lixo urbano é um dos maiores problemas ambientais da atualidade, pois os moldes de consumo adotados pela maioria das sociedades modernas provocam o aumento contínuo e exagerado na quantidade de lixo produzido.

Pessoas reclamam da falta de coleta de lixo, mas o que presenciei no litoral de São Paulo não era a falta de coleta, e sim um descarte absurdo, indiscriminado e criminoso da população de turistas. Por mais que o poder público disponibilize locais e pessoas para fazer a coleta, se não houver a colaboração dos cidadãos continuaremos nesta cegueira coletiva destruindo o planeta. Aí sim é bem fácil de imaginar o fim do mundo.

O ser humano é o maior predador de sim mesmo e do meio ambiente que habita.