Quando fui convidada pelo Zé Fevereiro para uma cicloviagem de Cachoeira Paulista a Paraty sinceramente não tinha muito idéia de como seria a viagem e nem mesmo dos lugares por onde passaria.

Dois nomes fortes me chamaram a atenção e me fizeram decidir por participar da viagem, primeiro foi a Serra da Bocaina, sempre ouvia falar desta serra e do esplendor de sua paisagem e o segundo foi Paraty, cidade que ainda não conhecia.

Depois de uma semana organizando a pequena mala de apenas 3 quilos, tive a grata surpresa com a adesão dos amigos  Prof. Arnaldo e Adilson no nosso pedal. Além de encarar o desafio conosco também convidou 6 amigos para fazer o percurso de Cachoeira Paulista até Areias.  

Nos  75Km iniciais estávamos em 10 ciclistas. A alegria era contagiante, pessoas amigas e muito gentis.

Durante a viagem os pensamentos viajavam com a paisagem, com o silêncio entrecortado com o barulho das engrenagens da bike, com canto de pássaros e alguns mugidos de gado. O tempo todo pensei o quanto uma pequena ação pode desencadear um grande evento, um grande feito.

A partir de uma idéia, de um desejo do Zé Fevereiro, ali estava eu, no meio de uma estrada longínqua, com um grupo de 9 pessoas. Todos pedalando muito, fazendo o seu melhor para chegar ao objetivo inicial, a cidade de Areias.

Depois desta cidade seguimos eu, o Adilson, o Prof. Arnaldo e o Zé Fevereiro em direção a Paraty. Passando pelas cidades de São José do Barreiro,Serra da Bocaina, Campos de Cunha e Cunha.

Nós quatro com o mesmo objetivo e a mesma disposição em dar o seu melhor para atingirmos a meta de pedalar os 260Km entre estradas asfaltadas e trilhas de terra, em baixo de muito sol, muita chuva, frio e calor.

A pequena ação do Zé Fevereiro mobilizou pessoas num efeito dominó. Em cada cidade que chegávamos havia as pessoas das pousadas nos esperando e ávidas para saber como tinha sido o percurso até aquele ponto. Todo nos recebiam muito bem, com sorriso no rosto, com muita curiosidade,  com alimentação farta, cama limpinha e chuveiro quentinho.

Tudo aconteceu sob  o clima de amizade, alegria, solidariedade, colaboração e cooperação.

Esta viagem foi, além de mais um grande marco na minha vida na prática do esporte que abracei de coração, foi também uma grande lição de vida.

Comprovou que por menos que queiramos qualquer ação que façamos, por menor que seja, refletirá nas pessoas e no ambiente ao seu redor.

Comprovou que a corrente do bem, que ações de amizade, carinho, atenção e principalmente gentileza, apenas multiplicam estes sentimentos e reverberam no Universo como um todo.

Comprovou que onde há amizade sincera e verdadeira não existe intolerância, não existe individualismo e sim muita compaixão e respeito um pelo outro.

Comprovou que a prática do esporte é edificante e muito gratificante.