Ciclofemini
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Minha vida sempre foi muito difícil: a pobreza , falta de amor. Cada dia era um grande desafio. Por nunca ter tido família quis formar a minha, mas não foi fácil, pois o pai do meu filho, louco e descontrolado preferiu fugir, mas houve também muita perseguição e fugas.

Aí começa uma bela história de amor e amizade com a bicicleta. Numa destas fugas precisei deixar meu filho de um ano em Minas Gerais, pois fui a busca de emprego, casa para morar. Já se tratava da minha 10º mudança entre casas, cidades e bairros.

Durante uma semana sem meu filhinho as horas não passavam, a saudade aumentava demais. Estava morando na cidade de Osasco, São Paulo. Pedi emprestada a bicicleta de uma amiga e saí pedalando para diminuir um pouco a saudades do meu filho. Pedalei da cidade de Osasco até a cidade de Diadema. Foi um dia difícil, fiquei com dor na bunda, nas pernas, com medo dos carros, mas foi muito melhor do que ficar dentro de casa chorando. Quando cheguei da aventura estava tão feliz que as dores não me incomodavam. Mandei buscar meu filho e fui morar ao lado da USP – Universidade de São Paulo. Aí não parei mais de pedalar, coloquei a cadeirinha do Tomaz na bicicleta e saíamos para longos passeios por São Paulo.

Comprei uma casinha em Guarau, Peruíbe. Não tinha emprego fixo e passei a vender roupa em cima da minha amiga bicicleta.

Com ela ganhei dinheiro, pernas, saúde e disposição. Construí minha bela casa, estudei, me formei e comecei a trabalhar como corretora de imóveis. Passei a ficar horas na frente do computador e abandonei minha amiga magrela. De vez em quando saía com bicicleta e dava muitas voltas, mas a vontade de ficar com ela era maior que tudo.

Depois de 13 anos morando na Juréia, ganhei dinheiro, mas veio a falência e resolvi começar uma nova vida em Ilha Bela. Meu atual marido que sempre havia pedalado, nunca fez muita questão da minha companhia porque eu pedalava devagar. Ficava triste e pedalava sozinha. O trabalho estava bem devagar e veio novamente a falta de dinheiro, estava com sobrepeso, ansiedade, depressão, síndrome do pânico e para piorar roubaram minha amiga magrela, mas logo consegui uma outra, bem velhinha, não era a mesma coisa!

Cansei de ser gorda, cansei de ficar em casa, passei a pedalar forte indo de uma cidade para outra. Fazia trilhas, chegava suja, morta de cansada e meu marido me olhava com cera inveja. Isto me dava uma pontinha de orgulho, em apenas duas semanas já havia perdido 8 quilos, me vi novamente bonita e percebi que não precisa de companhia para pedalar.

Criei um projeto para receber cicloturistas em minha casa. Meu sonho é ser um cicloturista também, quero pegar a bicicleta sair pedalando e só voltar depois que conhecer o norte e nordeste do Brasil, quero conhecer a América do Sul e Central em cima de uma bicicleta, quem sabe a América do norte também! Quero levar meus dois filhos comigo, Bia e Rick.

Nada me segura, já consegui a fabrica da bicicleta que vai me apoiar para realizar este grande sonho. Agora estou trabalhando muito, pois vou investir em duas bicicletas.

Fácil não será, mas a minha vida nunca foi fácil!  Estou treinando, estudando e pesquisando.

Mandarei fotos da viagem!

abraços Ednéia

Ednéia Alves de Almeida Oliveira, 47 anos, Ciclista, mãe e trabalhadora.

Se você também tem uma relação muito especial com a bicicleta, mande sua história para nós no e-mail ciclofemini@ciclofemini.com.br, sendo aprovada será publicada na seção: Mulheres e suas Bicicletas – Uma relação muito especial.