Ciclofemini
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Matéria recente no TREEHUGGERS chamou minha atenção porque mostra que o número de mulheres pedalando é o melhor indicador de quão PEDALÁVEL é a cidade.

Segundo o artigo, as mulheres são menos afeitas ao risco que os homens, e cidades com melhor infraestrutura para ciclistas são mais convidativas para as mulheres e ciclistas cautelosos em geral.

As mulheres preferem rotas mais curtas para acessar as ciclovias e que estas sejam separadas das avenidas e estradas. Também preferem que as ciclovias estejam indo para algum lugar para onde elas querem ir ao invés de ciclovias em parques e jardins que não levam você a lugar algum e são apenas para o lazer. Estas podem ser ciclovias muito bonitas, mas não são úteis para ela pedalar de casa até os correios ou ao mercado. Isto sem falar na segurança pessoal destas mulheres pedalando em parques isolados ou mesmo na praia, onde são alvos fáceis para os assaltantes.

A partir disto, a forma como as mulheres vêem o uso da bicicleta no dia a dia está agora orientando os planejadores das cidades interessadas em implantar redes de ciclovias.

É uma verdade que as mulheres são menos afeitas a ficar dando voltas para ir ao correio ou a feira de bicicleta. Já perdi a conta de quantos rodeios eu já dei para ir de A a B para evitar o tráfego mais pesado ou porque a rota é mais tranqüila. Até porque gosto de pedalar, e o caminho nunca é mais longo quando você está fazendo algo que gosta. Mas é difícil para uma dona de casa fazer isto enquanto está preocupada com o leite das crianças, com as roupas que vão à máquina e em todas as outras tarefas domésticas que as esperam em casa! E para a grande maioria das mulheres que estão ativamente no mercado de trabalho, se pedalassem, iriam querer ir pelo caminho mais curto de casa para o trabalho e vice-versa, desde que muitas ainda têm a segunda jornada em casa!

Recife, por esta ótica, não é uma cidade muito amiga das ciclistas. Apesar de ser uma cidade com forte vocação ciclística, plana, sem grandes elevações e até com passado holandês, são poucas as mulheres que pedalam no dia a dia.

Contam-se nos dedos! Em geral, são profissionais de baixa renda e menor escolaridade, que o fazem para economizar o transporte público.

Taí uma coisa que nossos vereadores e prefeitos precisam pensar se algum dia chegarem a cogitar em implantar ciclovias: sigam as mulheres!!!

Rogério ressalta: De forma geral concordo que as mulheres são um dos termometros da CICLABILIDADE das cidades. São as mais frágeis, mais suscetíveis a violência urbana e no trânsito. Quanto mais usarem a bicicleta, melhor a cidade será para todos!

ROGÉRIO FAGUNDES LEITE
Químico Industrial pela UFPe/Recife-PE, Mestrado em Eng.de Materiais pela UFSCar/São Carlos-SP, iniciando o doutorado em Ciência dos Materiais na UFPe. Professor, Designer Gráfico, Ilustrador, Fotografo e Artista Plástico.

Trekker, Peregrino, Ciclista Urbano, Cicloativista.

Divorciado, 49 anos, uma filha para quem pretendo deixar um mundo melhor. Nasci em Recife, morei 20 anos em Salvador, retornei em 2008 para Recife. Comprei uma bike para sair com os amigos e fazer exercícios. Criei um blog para colocar as fotos. Comecei a escrever e escrever sobre mobilidade, transportes, bicicleta e mais mobilidade. Virei blogueiro, cicloativista e ecoativista, focando a reciclagem de plásticos.

Site: http://pedalandoeolhando.blogspot.com/