Ciclofemini
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Visão do Vulcão Mocho-Coshuenco, no complexo Huilo-Huilo, largada do TAC 2014

Muito difícil descrever o grande esportista  Weimar Pettengil, um homem destemido, aventureiro que trabalha na área pública e entre muitas coisas que faz é também colunista da Rádio CBN.

Weimar traçou uma nova jornada para os próximos dois anos de sua vida: Participará das  7 ultramaratonas de Mountain Biking mais difíceis do mundo em apenas 2 anos!

Batizou este projeto de  7 Insanas.

Weimar participará de quatro provas em 2014 e três provas em 2015. São elas:

2014

  1. Trans Andes – 380km – 11.ooom ascensão – 6 dias – Chile – Janeiro
  2. Cape-Epic – 800km – 15.000m ascensão – 8 dias – Africa do Sul – Março
  3. BC Bike Race – 600km – 12.000m ascensão – 7 dias – Canadá – Junho
  4. Brasil Ride – 600km – 13.000m ascensão – 7 dias – Brasil – Outubro

2015

  1.  Trans Alp – 600km – 20.000m ascensão – 7 dias – Alemanha/Itália – Julho
  2. Mongolia – 1.000km – 15.000 ascensão – 7 dias – Mongólia – Setembro
  3. La Ruta – 400km – 8.000m ascensão – 3 dias – Costa Rica – Outubro
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Acampamento molhado, depois de 50 horas de tempestade na Patagonia Chilena.

As 7 Insanas terá o acumulado de  4,380km e mais de 92.000 metros de ascensão. Haja fôlego! mas para Weimar parece que folego e disposição é o que não lhe faltam!

Weimar é uma pessoa divertida, positiva e muito interessante. Em suas palavras vê-se a personalidade de um homem que cultiva a humildade, determinação, que sonha e que literalmente corre atrás para realizá-los. Weimar gentilmente nos concedeu a seguinte entrevista:

Ciclofemini: O que o levou a criar este mega desafio?

Weimar: Deve ser coisa da idade. Cronologicamente já contei 42 primaveras, mas a idade mental estabilizou-se nos 14 anos, e não sai disso. Às vezes acho que é culpa da tal bicicleta, essa máquina de transformar sonhos em realidade. A alma voa, enquanto as pernas giram e a criança se renova. O fato é que há 04 anos fui formalmente apresentado às Stage Races, participando do Brasil Ride. Me lembro de olhar em volta, aquele circo armado na charmosa Mucugê, atletas de vários países, profissionais e amadores, e pensar, assim meio abobado: – Esse é meu lugar. Pertenço a essa paisagem.
Nunca mais parei. Daí para ficar curioso com os outros grandes eventos mundiais foi um pulo. Já tive a oportunidade de conhecer o Cape-Epic na África do Sul e o TransAndes, no Chile. Em 2013 houve um ensaio do projeto, mas precisei fazer alguns ajustes e agora é hora de realizar. O sonho ganhou um nome pretensioso: As 7 Insanas, que pretende correr as mais difíceis e badaladas ultramaratonas do mundo.

Ciclofemini: Quais são seus principais objetivos?

Weimar: Me apavora a ideia de olhar para trás e achar que desperdicei essa dádiva chamada vida. Pular de prestação em prestação, ser escravo do relógio ou viver de lamentações, pensando como seria se eu tivesse feito isso, ou aquilo, não me seduz.
Praticamente falando, o objetivo principal das 7 Insanas é pedalar 4.400km em 10 países, com ascensão acumulada de 92.000m. Sete ultramaratonas em 22 meses. Ainda não sei se sou abusado, ou desavisado, mas prometo informar assim que descobrir. Parafraseando o matuto, só sei que “ovoí”.

Ciclofemini: Você está escrevendo um livro. Fale a respeito do conteúdo que está desenvolvendo.

Weimar: Entrar nesse mundo das Corridas de Estágio é muito mais difícil que, de fato, fazer parte dele. Muitas pessoas me ligam, mandam e-mail, ou pessoalmente mesmo, me repetem questões básicas: Como treinar? Quanto treinar? Preciso de uma bike nova? Como viabilizar financeiramente? E a mais comum de todas as perguntas: – Mas moço, como convencer minha esposa?
A ideia do livro é divertir, mesmo que às custas do meu sofrimento! Aliás, sofrimento que passa, uma vez que nenhuma subida é eterna. Então fica a preocupação de conhecer as provas, tentar de alguma forma fazer uma avaliação do que cada evento oferece e, assim, como entender como preparar-se para cada desafio. A busca pela informação é um trabalho grande, e o objetivo do livro é encurtar o caminho, para que cada estágio possa ser desafiado e vencido da melhor maneira possível.

Ciclofemini: O que o faz tão determinado?

Weimar: Nem me considero assim, determinado. Aos 10 anos de idade já fugia da escola para atravessar a nado o Rio Aquidauana, no Pantanal. E entendi, desde então, o significado de conviver tão intensamente com a natureza. De lá pra cá, muita frustração. Muitos projetos deram errado. Muitas vezes nadei, e morri na praia. Aprender a lidar com a decepção foi o passo mais importante. Depois, saber no que insistir, e quando desistir.

O que levo de toda essa experiência é que sonhar com os olhos abertos pode de fato ser a coisa mais importante. Assim você se vê exatamente onde gostaria de estar amanhã. E realiza, concretiza. Passa a ser o único responsável pela sua felicidade. Quando esses elementos se alinham, me divirto. Tudo dá certo.

Ciclofemini: Você tem um currículo diferenciado, com muitas aventuras. Nestas aventuras há muito esforço e até sofrimento, onde você quer chegar? Qual o limite?

Weimar: Essa pergunta é fácil. Não tenho a menor ideia de onde vou chegar, eu só quero ir. E voltar, claro. E no justo tempo de partilhar com os amigos a experiência, partir novamente.

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Churrasco de comemoração do Trans Andes Chile 2014, Estágio 1 das 7 Insanas

 

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