Hoje falaremos sobre a respiração e a sua influência no ciclismo. Será que preciso treinar a respiração ou os músculos que o fazem? Esses músculos são tão importantes assim?

Em meu Studio não vejo os atletas preocupados com essas perguntas. A grande maioria vem ao Studio pois querem ser mais ageis e eficientes ou não sentir dores. Muitos compram as suas bicicletas com valores altíssimos e querem apenas assim melhorar o seu tempo nas provas ou chegar em primeiro. Mas será que só uma ótima bike é suficiente? Eu acredito que não e é sobre isso que falaremos agora.

Quando inspiramos, os principais músculos que estão trabalhando são os músculos intercostais externos e o diafragma e na expiração temos os músculos intercostais internos e os abdominais. No entanto, em torno de 20 músculos são usados na respiração. Aí vocês me perguntam: mas e aí, qual a importância disso quando falamos do ciclismo sendo que eu estou sempre respirando enquanto pedalo? E eu te pergunto: Será que você respira de uma maneira correta ou está bem posicionado e treinado para tal?
Estudos mostram que problemas no padrão respiratório podem ter efeitos negativos no desempenho do ciclista por várias razões sendo elas: Taquipnéia – aumento da frequencia respiratória (Carvajal, at al, 1999), aumento da hiperinsuflação dinâmica (Johnson, at al, 1992; McConnell, 2005) e um conseqüente aumento no trabalho respiratório (Harms et al., 1998). Com o aumento no trabalho respiratório pode ocorrer o que chamamos de “blood stealing”, quando o sangue migra dos músculos periféricos para os músculos respiratórios para atender o aumento da demanda (Sheel et al., 2001), gerando assim diminuição na produção de energia nos músculos periféricos, nas pernas por exemplo (Romer & Dempsey, 2006).
 
 Também pode ocorrer fadiga muscular respiratória (Johnson, Aaron, Babcock & Dempsey, 1996) e dispnéia aumentada  – falta de ar (Grazzini, Stendardi, Gigliotti, e Scano, 2005), causando a diminuição do desempenho do atleta.
 
Além disso tudo, você sabia que dentre os músculos da respiração a grande maioria deles tem relação com a postura (Hodges PW 2007, Hodges Pw, 1997)?
 
E aí? Será que agora isso tudo faz um pouco de sentido? Será que qualquer bike fit de internet ou com medições e fórmulas mirabolantes já está bom? Mais uma vez tenho que discordar!
 
Pensando numa pessoa normal, com uma boa postura, vemos que sua capacidade respiratória vai depender do quanto ela consegue fazer o ar entrar em seus pulmões. Quanto mais ar em seus pulmões, mas oxigênio consegue ser transportados pela corrente sanguinea.
 
Agora, pensando em um ciclista. Se esse, não tem uma boa postura ou se ele não está posicionado corretamente sobre sua bike, muito provavelmente essa capacidade que os pulmões têm de se expandir vai ser diminuida. Além disso, quando a troca gasosa não é bem efetuada, a fadiga muscular ocorre com maior antecedência e, em alguns estudos com ciclistas observa-se que a fadiga muscular está intimamente relacionada a perda da técnica da pedalada, aumentando as chances de o indivíduo sofrer lesões. Segundo Villard at al., padrões de coordenação mais estável pode melhorar a eficiência da respiração e adiar a fadiga em exercícios de longa duração.
 
Um outro fator importante: Vejo em várias revistas especializadas no ciclismo e em livros também que muito se fala sobre alongamentos para prevenção de lesão, porém, pouco vejo sobre os músculos envolvidos na respiração serem trabalhados, tanto fortalecimento como alongamento.
 
E se o ciclista não está bem posicionado em sua bike. Será que não tem diferença em sua capacidade respiratória comparando a um ciclista bem posicionado? Tem diferença, claro que tem.
 
Um ciclista com o posicionamento inadequado com certeza vai sobrecarragar alguns músculos que são necessários para uma boa respiração e isso influenciará na sua prova ou no seu passeio.
 
 Uma tensão na região cervical por exemplo vai fazer com que músculos como o trapázio, escaleno e intercostais não trabalhem corretamente.
 
Por isso, além de um bom Bike Fit, é importantíssimo que trabalhe os musculos respiratórios, alongando e fortalecendo. Os exercícios de pilates que trabalham o CORE são uma boa opção. 
    
Além disso, um treinamento respiratório específico beneficiará o ciclista de duas maneiras: corrigindo qualquer mecânica respiratória anormal e distúrbios do padrão respiratório, atenuando assim as consequencias da má mecânica respiratória. Esse treinamento respiratório é demonstrado no estudo de Vickery, 2007 mostrando que em 4 semanas de treinamento obteve-se um aumentou na resistência, performance e potência de pico de tais atletas.
 
Nosso corpo está todo conectado. Não pense apenas no seu joelho,na sua mão, no seu pé ou na sua lombar. Você é importante na totalidade.